
A redução de impostos no próximo ano é um assunto tabu. Apesar da insistência dos deputados, José Sócrates recusou ontem responder se irá baixar os impostos em 2009 e optou por enaltecer a descida de um por cento do IVA contra as críticas da Oposição e do seu ex-ministro das Finanças, Campos e Cunha. "A descida do IVA só é desprezível para quem é rico, não para quem é pobre", declarou o primeiro-ministro, após debate na Assembleia da República, dominado por política fiscal.
Perante as críticas da Oposição, que desvalorizou a redução do IVA, José Sócrates defendeu que este é o imposto que, com mais rapidez, será sentido pelo bolso dos portugueses. Mas invocou a crise financeira internacional para justificar a opção de não descida da taxa máxima para os 19%. Um argumento que não convenceu a Oposição.
O líder parlamentar do PSD, Santana Lopes, considerou errada a decisão do primeiro-ministro e defendeu que o Governo deveria ter esperado pela confirmação da consolidação orçamental para depois reduzir os impostos de uma vez. Já Paulo Portas revelou dúvidas sobre o real efeito da redução da taxa máxima do IVA para 20 por cento e propôs que a Autoridade da Concorrência investigue a formação dos preços no último ano.
O líder do CDS acusou ainda José Sócrates de ter baixado o défice 'à custa dos contribuintes': 'O défice em termos reais desceu 5300 milhões de euros. O aumento da receita fiscal e contributiva foi de 4132 milhões de euros em termos reais. O que significa que 77 por cento do esforço para reduzir o défice foi do contribuinte'. Em reacção, Sócrates lançou uma farpa ao anterior governo PSD/CDS-PP: 'Este défice de 2,6 por cento em 2007 não foi obtido com a venda de nenhuma rede fixa à PT.'
Jerónimo de Sousa desafiou Sócrates a baixar o IVA para 19 por cento, mas o primeiro-ministro deixou o líder do PCP sem resposta.
Francisco Louçã diz que há 23 mil milhões de euros em offshores!Francisco Louçã confrontou o primeiro-ministro com as fortunas aplicadas em offshores que escapam à tributação. O BE apurou um valor de 23 mil milhões de euros que, a serem sujeitos a impostos, representariam um superavit de dois por cento. Louçã foi contundente: '
A casa não está em ordem ... O problema do País não é orçamental, é de Justiça.'
O dirigente do BE foi mais longe e criticou o Governo por recorrer a este tipo de investimentos: 235 milhões de euros. Sócrates desvalorizou a questão: '
Na gestão pública dos dinheiros do Estado, todos os organismos devem utilizar os meios de mercados legais para rentabilizar o dinheiro ao serviço dos contribuintes'.